Lisboa, 26 Jul (Lusa) - Os poucos jovens candidatos às autárquicas 2009 consideram-se uma "mais-valia" para a política actual, ignoram qualquer tipo de discriminação e não vêem a maturidade como factor fundamental para enfrentar um sufrágio eleitoral.
Ricardo Pereira Alves tem 32 anos e nas últimas eleições
autárquicas, em 2005, foi eleito o mais jovem autarca do país,
com 29 anos, no Município de Arganil.
Para o sufrágio de 11 de Outubro, o PSD já apresentou a recandidatura
do jovem, que considera a juventude "um dos sectores mais dinâmicos
da sociedade", sendo, por isso, "essencial" a sua participação
na vida política.
"Os jovens dão um contributo muito positivo à política,
pela sua criatividade e vontade de mudar", sustentou.
Ricardo afirma que nunca se sentiu discriminado, mas reconhece que, por vezes,
autarcas mais velhos com mais experiência demonstram alguma "incomodidade".
Para o autarca social-democrata, ter coragem é ainda mais importante
que a maturidade, pois esta "não tem a ver com a idade".
Ricardo pode deixar de ser o mais jovem autarca do país se André
Rijo, de 25 anos, for eleito no Município de Arruda dos Vinhos pelo
PS.
André, advogado estagiário, deputado na Assembleia Municipal
de Arruda dos Vinhos e secretário-coordenador da JS local, confessou
à Lusa que o interesse pela política surgiu "naturalmente"
por influência do próprio pai, que lhe foi "incutindo"
o espírito.
O candidato admite que "há sempre alguma desconfiança"
perante alguém "tão jovem", mas considera pertencer
a uma geração nova que está "melhor preparada"
para enfrentar um desafio destes.
A capacidade natural que os jovens têm para se adaptar às novas
tecnologias e de terem vivido sempre num país livre integrado na União
Europeia é uma "mais-valia", defende o jovem, que afirma
estar preparado para este desafio "com toda a convicção".
Para o candidato, a maturidade é "importante mas não decisiva"
e o espírito "arrojado e irreverente" característico
dos jovens "pesa sempre mais".
Três anos mais velho é Ricardo Pinheiro, que aos 28 anos é
candidato pelo PS à autarquia de Campo Maior.
Apesar da "pouca experiência de vida", o jovem assume-se trabalhador,
dedicado e preparado para enfrentar o desafio com uma "grande dose de
humildade e consciência".
"O mais importante para um jovem é sentir que acreditam em nós",
considera o candidato socialista, que defende que os jovens deveriam começar
a ter uma participação mais activa na política em Portugal,
sendo "fundamental" sensibilizá-los.
Ricardo acredita que os mais jovens têm "tantas ou mais" capacidades
para liderar uma autarquia, ignorando qualquer tipo de discriminação
por parte de autarcas mais velhos.
"Estou cá para provar isso", advertiu, acrescentando que
"a política é simplesmente um modo de estar na vida".
Para além de Ricardo Pereira Alves, André Rijo e Ricardo
Pinheiro, também para as autarquias de Oeiras, Montalegre e Vila Real
foram apresentados jovens candidatos que irão a eleições
a 11 de Outubro.
Francisco Silva, 27 anos, é líder concelhio do BE em Oeiras
e anunciou esta semana a sua candidatura à Câmara local, bem
como o empresário Duarte Gonçalves, da mesma idade, candidato
pela coligação PSD/CDS-PP à autarquia de Montalegre.
No concelho de Vila Real, o CDS-PP escolheu o jovem engenheiro luso-descendente
Patrique Alves, de 28 anos, para liderar a candidatura à Câmara
Municipal.
Lisboa,
26 Jul (Lusa) - A participação dos jovens na política
autárquica é "importante", desde que consigam marcar
a diferença através de atitudes de reforma e de mudança
e se introduzirem novidades no seu discurso, defendem especialistas contactados
pela Lusa.
Entre centenas de candidatos às autárquicas de 2009 são
poucos os jovens entre os 25 e 30 anos que aceitaram o desafio dos partidos
políticos de enfrentar o sufrágio de 11 de Outubro.
Para o investigador do Instituto de Ciências Sociais (ICS), António
Costa Pinto, o interesse dos jovens candidatos pela política "tem
tudo a ver com vocação".
Apesar de reconhecer que Portugal tem "uma relativa juventude na sua
elite política, quando comparada com outros países europeus",
para o politólogo "está longe de ser a norma nas candidaturas
às autárquicas", considerando que há alguma tendência
para o envelhecimento da elite política local, sobretudo ao nível
de presidentes de Câmara.
Já para o doutorando em Sociologia Política no ICS, Jesus Sanz
Moral, a incorporação dos jovens nas instituições
políticas é "uma boa notícia".
"A ausência de renovação dos partidos é preocupante,
pois poderia causar uma crise de representatividade das instituições
e de legitimidade da própria democracia", afirmou o estudante,
a desenvolver um trabalho sobre a participação social e política
dos jovens.
Sanz Moral lembra que muitas pessoas viviam na expectativa de que as gerações
pós-25 de Abril teriam um "comportamento participativo mais intenso
que as antecedentes".
Contudo, afirma, o que se verifica "é que os jovens preferem formas
não convencionais de implicação política na sociedade".
Jesus Sanz Moral considera que o facto de os jovens entrarem nas listas autárquicas
"pode não ser um indicador de mudança, se se comportarem
como os adultos que já lá estavam".
"É importante analisar a atitude dos jovens autarcas, se incorporam
um discurso juvenil ou se debatem sobre a reforma dos partidos", sustentou.
"Temos de ver se a sua presença nas instituições
introduz alguma novidade nos discursos, nas formas e nas práticas.
Será que estes jovens vão marcar a diferença? Serão
exemplo de uma nova sensibilidade e ética política?", questionou.
Estes jovens estão "talvez mais perto de uma estratégia
de continuidade que de reforma ou ruptura", para Jesus Sanz Moral, que
classifica a juventude portuguesa "mais conservadora" que a geração
dos seus pais, em relação às suas atitudes políticas.
Para o ex-líder da Juventude Social-Democrata (JSD), Pedro Passos Coelho,
45 anos, "os jovens são sempre necessários nos processos
políticos, independentemente da sua experiência de vida".
O membro do Conselho Nacional do PSD, que aos 14 anos aderiu à JSD,
não considera que um autarca de 25 ou 30 anos seja "pior"
que um de 50 ou 60, apesar das diferentes experiências de vida.
"Não vejo que, pelo facto de serem jovens, não possam desempenhar
um papel com qualidade e competência", afirmou, acrescentando que
"felizmente" há casos de candidatos muito jovens que foram
eleitos e desempenharam "belíssimos" lugares.
Há mais de 20 anos na Câmara de Trancoso, o presidente Júlio
Sarmento foi eleito na década de 80 ainda pela JSD e tem desempenhado
um "papel exemplar", segundo Passos Coelho.
Também para a ex-líder da Juventude Socialista (JS), Jamila
Madeira, 33 anos, os jovens são uma "mais-valia" para a política.
"A construção das listas deve ser um reflexo da sociedade
portuguesa e se o futuro depende dos jovens, estes deverão identificar-se
com essas mesmas listas", declarou.